A vendedora comovida pela
comissão foi solícita e me disse: “Se não servir, não tem problema, nós
mandamos ajustar!”, então explicou que a costureira era ótima e que eu não
precisaria pagar pelo ajuste, seria uma cortesia. Fui cautelosa, agradeci a oferta,
mas imediatamente declinei do meu objeto de desejo.
Não sei porquê, mas arrumá-lo me
daria uma sensação ruim, como se tudo aquilo que precisasse ser arrumado assim,
desde o início, fosse virar mais um esqueleto para guardar no armário.
Depois pensei em todas as
relações que eu tentei fazer dar certo e de todas as nuances românticas que eu
dei a pessoas, apenas para que elas coubessem nos meus sonhos e ideais de
novela mexicana.
Desde o início sabemos quando uma
relação amorosa está fadada ao fracasso ou a doença mental, mesmo assim, nesse
caso acreditamos no argumento da vendedora do vestido: “Se não servir, não tem
problema, nós mandamos ajustar!”.
Acontece que começar remendando
alguém para que sirva ou tentando se adequar ao tamanho ideal é um esforço que
fazemos muito cedo, por impulso, sem nem ao certo saber se vale à pena, sem
conhecer o outro e pior, sem saber se a pessoa em questão está esperando qualquer
atitude.
Amamos vestidos, mas quando eles
caem bem, se for pra mandar ajustar, fica sem graça, deveríamos ser assim com nossos
relacionamentos: começou tendo que consertar, pense no quanto do seu tempo será
investido e se esse preço não comprometerá o orçamento mais importante que você
tem: sua vida!
