A necessidade de acreditarmos que
somos eternos e imortais destrói a nossa vida, nosso presente e o que poderíamos
fazer para sermos felizes agora.
Quanta gente age como se sempre
fosse ter tempo de fazer o que realmente precisa ser feito, para jogar a
hipocrisia de lado e viver com mais sinceridade o que tem vontade?
Quanta gente espera a hora certa,
como se houvesse sempre uma segunda chance, uma outra possibilidade de
reproduzir aquilo que sonhava?
É muito triste saber que dentro
da gente existe sempre essa esperança, que chega a ser quase uma certeza, de
que as decisões tem hora certa para acontecer, que haverá uma compensação pela
espera, que há uma justiça para aqueles que sentam no berço esplêndido da vontade
alheia.
Vejo por aí tanta gente sentada
nessa certeza, sem ousar duvidar que o tempo se esgota e que há um ponto final,
que às vezes a vida é esse presente mesmo e não haverá um futuro melhor, pois
no futuro a pessoa estará sempre pensando no futuro de depois no céu e depois
na vida eterna.
Esperando que um dia haja a “hora
certa” para viver, sem as mentiras e babaquices das convenções sociais, morais,
que nos limitam, que nos fazem acreditar em uma eternidade que, nós, podendo
ter o benefício da dúvida, acreditamos que exista, só para aliviar o vazio
dessa existência burra e acomodada no sem-sentido das coisas.
Concluo: ter esperança, além de
ser paralisante, é uma merda!
