Incondicional//Amou-o como nunca amou ninguém/ por ele
gastou até o último vintém/em troca sobrou só um bilhete:/ - Mãe, te visito ano
que vem!
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Microconto 4
Tatuagem//Quis marcar o amor na pele/achou que nunca
acabava/a tatuagem ficou/mas o Antônio se foi/não gostava muito de mulher
tatuada.
Microconto 3
A espera// Ele disse que ia
ligar!/Ela passou o dia inteiro ao lado do celular/As horas passaram/Ele
ligou!/Para outra/ que esqueceu de lembrar.
Microconto 2
Festa//Por folia baila/até o som
se cala:/-fecha os olhos bailarina!/- que logo vem o dia, com os calos e a melancolia.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Somos os dois lados da mesma moeda
Não adianta! Não compro mais os dramas da vida moderna, não aceito mais esse sofrimento banal do fim de romances por pessoas que idolatram umas as outras e depositam num único ser toda a responsabilidade de felicidade e amor eterno.
As pessoas mudam. Ponto final. Conseguimos compreender perfeitamente isso, aliás, quando nós é que decidimos mudar, mas quando alguém quer seguir por outro caminho, pronto! Começa o amor pelo avesso, as interrogações: onde foi que eu errei? O que poderia ter feito? O que ele quer que eu não tenho?
Aquele que muda, o corajoso, segue o seu caminho... já o rancoroso, aquele que acha que "perdeu" uma disputa: esperneia, se deprecia e quer contar a história triste para que todos tenham pena, o rancoroso é sempre uma vítima.
São as vítimas sentimentais, que levadas por puro egoísmo não distinguem pessoas de objetos: "-São meus: meus planos, meu futuro, meu, meu, meu....- " O pior é que viver assim é muito mais difícil, imaginar que podemos controlar é uma ilusão dolorosa que acaba.
Existem várias formas de se contar uma história, mas é só notar: a vítima sentimental vai encontrar um jeitinho de lembrar da sua através de relações que não deram certo, e sofre lembrando, e sofre esperando, vazia.
E não se contentam em ser assim sozinhas: vítimas solitárias, querem que todos a sua volta sofram também, e não pense que você ficará imune, pois entender o sofrimento é uma forma de sofrer também.
Também há muitas maneiras de ver a vida, a da vítima sentimental é aquela facilmente reconhecível: ou está lamentando a perda de um amor do passado ou imaginando uma relação ideal no futuro.
É o passageiro da lembrança e da esperança, que enquanto se preocupa tanto com suas distrações mesquinhas se perde no relógio implacável... inclusive reclamar sobre o tempo é uma das grandes distrações da vítima sentimental.
Não caia nesse jogo! Viver não consiste em perdas e ganhos... deixa que vá... e não pense que a vítima sentimental sabe alguma coisa porque alega que se entregou, esse tipo de entrega é desnecessária.
Vamos manter nossas almas além das chegadas e partidas! Quantas vezes não fomos nós mesmos que decidimos ir embora? E quando não, quantas vezes só nos faltou a tal coragem?
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Vida Breve
“A vida real do ser humano consiste em ser feliz,
principalmente por estar sempre na esperança de sê-lo muito em breve.” (Edgar
Allan Poe)
Procurando sem
querer um site qualquer me deparei com essa frase, sempre penso no que o Sir.
Edgar disse, pois sua forma perturbadora de ver a vida muitas vezes já me
causou empatia. Lembro do impacto que tive quando caíram em minhas mãos suas
Histórias Extraordinárias e o poema O Corvo, de uma densidade dramática e
pessimista que chegavam a dar medo.
Fui
buscar sua história de vida, para entender porque alguém escreve o que escreve,
de tal modo que não poderia ser obra de ninguém mais no mundo a não ser aquela
pessoa. A biografia, com requintes de um
grande drama da vida real: abandono, perda, doença, vícios. O grande conflito
da imposição social que sofre todo artista para ser algo totalmente fora de sua
habilidade e leva à aquela delicada corda bamba entre agradar à todos ou
alimentar seus próprios anseios.
A constante
presença da morte em suas obras de ficção contrasta com a frase aí de cima:
felicidade, vida.... porém, esperar a felicidade que venha sempre em breve, no
próximo capítulo é a morte presumida, cotidiana, a morte que o fazia escrever
sobre ela, a esperança que ele também tinha e nunca alcançava.
Insisto que ele
tem razão, contemporaneamente, comovidos pelas belas cenas da caixa preta da
sala, sonhamos! E sonhar, não é bom? Sim, é essencial ! Desde que não nos
contentemos com a sua realização através de uma imagem, atrás de uma tela.
O Criador nos
deu a vida para façamos parte e isso envolve a responsabilidade de entendermos
a dádiva de viver cada dia desperto dentro na realidade que temos, é a única
que podemos alterar. Presente deriva de presença.
Somos injustos
ao transferir ao tempo e ao acaso a nossa atribuição de viver agora, como
nunca: o amor melhor é no futuro, a plenitude vem depois do carro, que vem
depois da casa, que vem depois do sucesso profissional, o vizinho é mais feliz
, e se fosse assim, e se fosse outro lugar, e se fosse outra família, outros
amigos... e se...
Enquanto
isso deixamos de lado a realidade esperando o “muito em breve” da frase-título
e dormimos acordados nos planos que sonhamos para o futuro. Mas e hoje? O que
de real fez com suas horas a ponto de poder dizer: eu estou vivo!
sábado, 8 de setembro de 2012
Nas veredas do Vereza: "Um Homem Qualquer", de Caio Vecchio, estreia em 3...
Nas veredas do Vereza: "Um Homem Qualquer", de Caio Vecchio, estreia em 3...: Carlos Vereza, Eriberto Leão e Nanda Costa protagonizam o filme que foi inspirado em um morador de rua de São Paulo Um Homem Qualquer é...
domingo, 2 de setembro de 2012
Fragmentos de Drummond
Anotação em um diário meu de 2009: algum fragmento de um poema completo do Drummond:
"Como fugir ao mínimo objeto ou recusar-se ao grande? Os tempos passam, eu sei que passarão, mas tu resistes e cresces como fogo, como casa, como orvalho entre os dedos, na grama que repusam.
Já agora te sigo a toda parte e te desejo e te percom estou completo, me destino, me faço tão sublime, tão natural e cheio de segredos, tão firme, tão fiel..."
"Como fugir ao mínimo objeto ou recusar-se ao grande? Os tempos passam, eu sei que passarão, mas tu resistes e cresces como fogo, como casa, como orvalho entre os dedos, na grama que repusam.
Já agora te sigo a toda parte e te desejo e te percom estou completo, me destino, me faço tão sublime, tão natural e cheio de segredos, tão firme, tão fiel..."
O Hóspede Desconhecido - Como acaba uma relação
O relógio marcava a mesma hora de sempre, anos naquele horário, ele chegava, a beijava sem pudor, sempre pensando no momento de vê-la na horizontal. Novas carícias... e sucumbiam ao prazer depois seguiam com destinos opostos.
Ela pensava em casamento, ele pensava na próxima vez que a veria nua.
Para garantir seu futuro ela se cobria de enfeites e se perfumava de tal forma que todos ao seu redor (que não tinham coragem de comunicá-la) notavam que o frasco do perfume tinha problemas e sempre borrifava direto nos seus olhos, o que tornava sua visão opaca.
O esforço para parecer que seria uma boa esposa era imenso, uma vez, queimou as mãos tentando cozinhar para ele um jantar. Não se sabe se ele gostou, mas depois desse dia, ele sempre queria encontrá-la direto em algum restaurante.
Para garantir "a próxima" ele respeitava o sonho de casar da moça, como se respeita qualquer sonho que alguém diz que teve com você, entende? Também não se desmonta as iluões de alguém, ele pensava. Ainda se sentia lisonjeado por ser escolhido... desde que não saisse dos planos.
Uma enganação que chegava a parecer amor.
Como queria muito continuar a vendo na horizontal, mas precisava de algo que prolongasse o sonho da moça, comunicou: - Até me caso, mas antes disso, você tem que ter uma faculdade pelo menos! Vá estudar, que eu pago. (Pagar uma mensalidade sairia mais barato do que contratar uma profissional ou que gastar com festas, filhos, família).
Então, como era de se esperar, ela se sentiu muito culpada e entendeu o argumento, no mesmo dia começou a pesquisar e se matriculou.
Enquanto não começavam as aulas: mesma hora, mesmas carícias ardentes, banho, veste a roupa, beijo e despedida. Como ela se sentia perto! Mais quatro anos estudando e enfim o vestido de noiva.
No primeiro dia, na primeira aula: eis que surge O Cientista! Tudo que a voz mansa dele dizia entrava por um canal desconhecido da cabeça da menina, que antes só queria ser uma boa esposa... saiu com a frase na cabeça: "o que me comove, não me move"... tentando absorver aquele homem, aquelas palavras, era um começo e um fim.
Mesma hora, mesmas carícias e... não! Não houveram carícias: o sonho mais belo estava murcho. Ela já não reconhecia aqueles gestos, a fala, o assunto, aquele meio nunca seria mais o dela, aliás, era um alienígena fora do seu planeta.
Fim de tudo! Lágrimas de crocodilo e promessas de campanha, mas nada! A dor que ela provocava era como uma piada simples, mas que sempre tem graça.
Onde estavam os outros momentos? Ela teve que refletir ao ser questionada. Pensou que estariam já mofos numa caixa de papelão de achados e perdidos da mente "roda viva".
Era vento, que levava folhas secas do chão e derrubava outras, para movimentar a esperança de esperar algo que sempre teria que ser melhor, muito melhor do que aquilo que já era passado, mas o que era mesmo? Já tinha esquecido para caso de comparação.
Ela acreditou que ele se julgava amado por ter dado tudo que podia: desempenho mecânico. Mas ele parecia só um estranho daqueles que cruzam o caminho na rua e não deixam nem levam nada.
O estranho continuava falando e por compaixão ela se questionava: "de onde conheço?" "Porque ele esbraveja e faz promessas, como se eu fosse responsável pela sua dor?" Ela só pensava que estava atrasada, ia perder a aula com O Cientista, e isso sim, seria um desastre.
Vem uma única frase na cabeça da moça, apenas a fim de apurar o encerramento do assunto: - "Tudo acabou!" Quis muito fazer cara de triste, mas achou engraçado o "tudo" da frase, já que ali estava só um punhado de carne ambulante, que queria sexo sem compromisso.
Ele ficou na porta, vendo o carro sair, chorando... pensando qual outra mulher estaria disponível, como ela naquele dia, para ele não perder o seu dia de foda, ops! Quis dizer: folga.
sábado, 1 de setembro de 2012
O tempo é um largo vento
O tempo passou como um largo vento, não vou dizer que fui muito feliz, que vi o arco-íris, que fiz das nuvens um quintal, mas posso dizer que sim! Sofri demais, chorei miligramas de verdades, escrevi e joguei fora muitas cartas que não ousei entregar...errei muito também: julguei quem era bom, ruim; desprezei bons sentimentos alheios. Amei demais! Estive pronta, de peito aberto para qualquer novidade que a vida me trouxesse e de esperar sempre a dinâmica delas, o tempo passou: rápido para mim.
Drummond disse: "as notícias ficaram velhas" e estou aqui, mais espectadora do tempo que antes, por algum acontecimento fantástico que me valha.
Eu digo: não façam como eu, não deixem essa alegria aí de dentro "aguardada, abafada esperando o Carnaval chegar..."
Joguemos fora as listas de tarefas, que só nos aquietam o corpo e não preenchem a alma! Não tentemos "criar a vida futura" a única hora que existimos é essa!
Acreditando ser miseráveis ou não, só nós resta ser o que somos neste momento e viver esta vida, apenas, sem mistificação, entendendo que há propósito em tudo.
Não rejeite o universo infinito de escolhas que te espera, quando te tornares dono da tua consciência!
Drummond disse: "as notícias ficaram velhas" e estou aqui, mais espectadora do tempo que antes, por algum acontecimento fantástico que me valha.
Eu digo: não façam como eu, não deixem essa alegria aí de dentro "aguardada, abafada esperando o Carnaval chegar..."
Joguemos fora as listas de tarefas, que só nos aquietam o corpo e não preenchem a alma! Não tentemos "criar a vida futura" a única hora que existimos é essa!
Acreditando ser miseráveis ou não, só nós resta ser o que somos neste momento e viver esta vida, apenas, sem mistificação, entendendo que há propósito em tudo.
Não rejeite o universo infinito de escolhas que te espera, quando te tornares dono da tua consciência!
Humildade
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