O que vemos quando nos olhamos no
espelho? Geralmente aquele estranho refletido é uma soma de todas as coisas que
tentamos fazer para agradar alguém, quase nunca é o que fazemos para agradar a
nós mesmos, enquanto o estranho fica ali, ficamos do outro lado, repetindo
velhas frases, andando em estradas que já sabemos o caminho.
Nem sempre percebemos à tempo,
antes de sofrer, que a vida que temos não é a nossa e sim um presente que
precisamos dar a alguém, para receber um reconhecimento em troca.
Vivemos nesse negócio eterno de
fazer algo para receber em troca e o tempo passageiro não perdoa nossas
escolhas para agradar, resultando em uma vida irreal, que atende os anseios da
sociedade, da família, mas não atende as frustrações que um dia aparecem.
O piloto automático justifica a
nossa conduta, pois é porque tem que ser a assim... até que um dia o outro,
esse material tão frágil e forte ao mesmo tempo se parte, milhares de
estilhaços para todos os lados, somos obrigados a juntar tudo e colar, quando
então a imagem toda embaralhada e imperfeita, mostra aquilo que seremos.
Isso leva tempo: quebrar, juntar,
colar e se olhar novamente, quanto mais tempo o espelho permanecer intacto,
menos sobra para que ele seja colado e possa refletir uma imagem real de quem
somos, tem gente que vive sempre com a eterna imagem do mesmo espelho que serve
a maioria, a esses a velhice reserva a pergunta: “então, isso era tudo?”

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