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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Vida de Cebola

Era como uma cebola a verdade por dentro de ambos, tão escondida, só de tentar mexer na primeira camada os olhos já ardiam, então, desistiam-se.
Para remendar o tempero na vida cada um comprava um condimento industrializado, embalagem bonita, mas plastificada, cheia de recursos para abrir e servir sem precisar tocar e sentir, enfim, o que importa? Servia! Não tinha o sabor ideal, mas o que é tudo senão um meio termo, né?
 Aquele contentamento de quem ganha meias e panetones no natal havia.
- É fácil demais, pensavam, essa ilusão do tempero pronto.
E o tempo é eterno, em suas cabeças sempre haveria um momento ideal para cortar a cebola, serem mortais e viverem a verdade, por agora, os olhos ardem demais para esses arroubos.

domingo, 11 de maio de 2014

Tenha coragem. Não tenha esperança!


A necessidade de acreditarmos que somos eternos e imortais destrói a nossa vida, nosso presente e o que poderíamos fazer para sermos felizes agora.

Quanta gente age como se sempre fosse ter tempo de fazer o que realmente precisa ser feito, para jogar a hipocrisia de lado e viver com mais sinceridade o que tem vontade?

Quanta gente espera a hora certa, como se houvesse sempre uma segunda chance, uma outra possibilidade de reproduzir aquilo que sonhava?

É muito triste saber que dentro da gente existe sempre essa esperança, que chega a ser quase uma certeza, de que as decisões tem hora certa para acontecer, que haverá uma compensação pela espera, que há uma justiça para aqueles que sentam no berço esplêndido da vontade alheia.

Vejo por aí tanta gente sentada nessa certeza, sem ousar duvidar que o tempo se esgota e que há um ponto final, que às vezes a vida é esse presente mesmo e não haverá um futuro melhor, pois no futuro a pessoa estará sempre pensando no futuro de depois no céu e depois na vida eterna.

Esperando que um dia haja a “hora certa” para viver, sem as mentiras e babaquices das convenções sociais, morais, que nos limitam, que nos fazem acreditar em uma eternidade que, nós, podendo ter o benefício da dúvida, acreditamos que exista, só para aliviar o vazio dessa existência burra e acomodada no sem-sentido das coisas.

Concluo: ter esperança, além de ser paralisante, é uma merda!

sábado, 3 de maio de 2014

A minha magem e semelhança


O que vemos quando nos olhamos no espelho? Geralmente aquele estranho refletido é uma soma de todas as coisas que tentamos fazer para agradar alguém, quase nunca é o que fazemos para agradar a nós mesmos, enquanto o estranho fica ali, ficamos do outro lado, repetindo velhas frases, andando em estradas que já sabemos o caminho.

Nem sempre percebemos à tempo, antes de sofrer, que a vida que temos não é a nossa e sim um presente que precisamos dar a alguém, para receber um reconhecimento em troca.

Vivemos nesse negócio eterno de fazer algo para receber em troca e o tempo passageiro não perdoa nossas escolhas para agradar, resultando em uma vida irreal, que atende os anseios da sociedade, da família, mas não atende as frustrações que um dia aparecem.

O piloto automático justifica a nossa conduta, pois é porque tem que ser a assim... até que um dia o outro, esse material tão frágil e forte ao mesmo tempo se parte, milhares de estilhaços para todos os lados, somos obrigados a juntar tudo e colar, quando então a imagem toda embaralhada e imperfeita, mostra aquilo que seremos.

Isso leva tempo: quebrar, juntar, colar e se olhar novamente, quanto mais tempo o espelho permanecer intacto, menos sobra para que ele seja colado e possa refletir uma imagem real de quem somos, tem gente que vive sempre com a eterna imagem do mesmo espelho que serve a maioria, a esses a velhice reserva a pergunta: “então, isso era tudo?”

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

alguns minutos na minha cabeça...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

“Se não servir, não tem problema, nós mandamos ajustar!”

O vestido era lindo e era modelo único, mas infelizmente, não serviu. Tentei imaginar que ele ficaria bom mesmo assim, depois ponderei:  era muito caro, boa parte do meu salário do mês eu pagaria em um vestido que definitivamente: não era o meu número.


A vendedora comovida pela comissão foi solícita e me disse: “Se não servir, não tem problema, nós mandamos ajustar!”, então explicou que a costureira era ótima e que eu não precisaria pagar pelo ajuste, seria uma cortesia. Fui cautelosa, agradeci a oferta, mas imediatamente declinei do meu objeto de desejo.

Não sei porquê, mas arrumá-lo me daria uma sensação ruim, como se tudo aquilo que precisasse ser arrumado assim, desde o início, fosse virar mais um esqueleto para guardar no armário.

Depois pensei em todas as relações que eu tentei fazer dar certo e de todas as nuances românticas que eu dei a pessoas, apenas para que elas coubessem nos meus sonhos e ideais de novela mexicana.

Desde o início sabemos quando uma relação amorosa está fadada ao fracasso ou a doença mental, mesmo assim, nesse caso acreditamos no argumento da vendedora do vestido: “Se não servir, não tem problema, nós mandamos ajustar!”.

Acontece que começar remendando alguém para que sirva ou tentando se adequar ao tamanho ideal é um esforço que fazemos muito cedo, por impulso, sem nem ao certo saber se vale à pena, sem conhecer o outro e pior, sem saber se a pessoa em questão está esperando qualquer atitude.

Amamos vestidos, mas quando eles caem bem, se for pra mandar ajustar, fica sem graça, deveríamos ser assim com nossos relacionamentos: começou tendo que consertar, pense no quanto do seu tempo será investido e se esse preço não comprometerá o orçamento mais importante que você tem: sua vida! 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O Ser e o Plástico


  • O SER E O PLÁSTICO

    Parada no sinal, desconectada da mesmice do mundo exterior, absorta em pensamentos sóbrios, uma imagem da rua me desperta para fora: um mendigo (ou o que o meu preconceito julgou ser um mendigo) atravessa a faixa, puxando cuidadosamente por uma cordinha um cão feito de garrafas plásticas recicladas. Ele tenta não machucar seu amigo: as calçadas não são adaptadas, o que exige do homem um zelo maternal, a fim de mantê-lo sem nenhum amassado.

    No primeiro momento, achei muita graça: “Que coisa mais insana”, pensei. Claro, como não seria diferente do mesmo pensamento que acomete todos aqueles que se julgam “normais” e que estão muito satisfeitos por fazerem parte dessa bolha fictícia do cotidiano.

    Esse conforto de ser como todo mundo sempre me traz em seguida uma náusea, rejeição por fazer parte da moldura ideal e, consequentemente, uma fascinação curiosa pelo esquisito. Muitas vezes, já estive flertando com aquilo que choca as pessoas de uma forma geral.

    Pensei melhor, então, sobre o mendigo e seu fiel cão de garrafas pet. Comparei essa cena a muitas que vejo, de pessoas que se julgam extremamente corretas e caçam a normalidade com garras, mente e cartões de crédito, para serem iguais a qualquer custo.

    O que ele estava fazendo? Nada mais que buscando uma companhia por medo da solidão, se rodeando de algo sem vida, plástico, ao mesmo tempo que submisso e constante. Um cão de plástico não foge, não morde, não sai por aí atrás de um belo filé ou de uma cadelinha com pelo macio.

    E como agem tantas vezes os “prudentes” e sãos? Buscam relações ilusórias para não morrer de tédio e superficiais para não ter que suportar o risco de uma perda após se entregarem a sentimentos mais profundos.

    Nós e o mendigo já sacamos que envolver-se com as vidas alheias pode ser perigoso, mais até do que estarmos presos e esquecidos em um quarto revestido de espelhos. E quantos por aí preferem relações feitas de garrafas recicladas e uma natureza-morta como companheira para escapar de si e para não enfrentar o outro real?

    O sinal abre. Lamento as calçadas mais uma vez... que não são adaptadas nem para o cachorro de garrafas pet do mendigo. Sigo! E minha revolta não dura mais que um suspiro!

    Publicado em Jornal Anotícia em 28/11/2012
    http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jspf=2&local=18&source=a3962727.xml&template=4191.dwt&edition=20880&section=1186

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Circo de Horrores

Vejo em muitas faces, o punho cerrado, mesmo que as mãos estejam acenando para mim, no recado dos olhos apenas o rancor e o medo de que eu coma a última fatia do bolo. Falo comigo: - não tenho a intenção de ficar com os últimos pedaços de nada, por isso, não faço nada para desfazer nada... obedeço as regras: não dou comida aos animais no zoológico, tento me atrasar todos os dias na mesma hora, e na mesma hora também faço plano de um dia fazer coisas saudáveis, que é sempre no outro dia, em muitas horas eu acredito que as pessoas são mais felizes do que eu no facebook, tantas fotos de comida e eu só no pão com margarina, tantos amores perfeitos e sobre isso só conheço da flor, tantas viagens pelos quatro cantos e eu fazendo sempre o mesmo caminho... volto a ser racional e então acredito que acredito que todo mundo mente um pouco, inclusive para não parecer triste, nem pobre, nem mal amado... minto um pouco também, pelo bem que faz do mundo uma roda que gira... mas no fundo, sei que tanto faz o faz-de-conta, estamos sempre sozinhos e isso é verdade!