Powered By Blogger

domingo, 2 de setembro de 2012

O Hóspede Desconhecido - Como acaba uma relação

 
O relógio marcava a mesma hora de sempre, anos naquele horário, ele chegava, a beijava sem pudor, sempre pensando no momento de vê-la na horizontal. Novas carícias... e sucumbiam ao prazer depois seguiam com destinos opostos.
Ela pensava em casamento, ele pensava na próxima vez que a veria nua.
Para garantir seu futuro ela se cobria de enfeites e se perfumava de tal forma que todos ao seu redor (que não tinham coragem de comunicá-la) notavam que o frasco do perfume tinha problemas e sempre borrifava direto nos seus olhos, o que tornava sua visão opaca.
O esforço para parecer que seria uma boa esposa era imenso, uma vez, queimou as mãos tentando cozinhar para ele um jantar. Não se sabe se ele gostou, mas depois desse dia, ele sempre queria encontrá-la direto em algum restaurante.
Para garantir "a próxima" ele respeitava o sonho de casar da moça, como se respeita qualquer sonho que alguém diz que teve com você, entende? Também não se desmonta as iluões de alguém, ele pensava. Ainda se sentia lisonjeado por ser escolhido... desde que não saisse dos planos.
Uma enganação que chegava a parecer amor.
Como queria muito continuar a vendo na horizontal, mas precisava de algo que prolongasse o sonho da moça, comunicou: - Até me caso, mas antes disso, você tem que ter uma faculdade pelo menos! Vá estudar, que eu pago. (Pagar uma mensalidade sairia mais barato do que contratar uma profissional ou que gastar com festas, filhos, família).
Então, como era de se esperar, ela se sentiu muito culpada e entendeu o argumento, no mesmo dia começou a pesquisar e se matriculou.
Enquanto não começavam as aulas: mesma hora, mesmas carícias ardentes, banho, veste a roupa, beijo e despedida. Como ela se sentia perto! Mais quatro anos estudando e enfim o vestido de noiva.
No primeiro dia, na primeira aula: eis que surge O Cientista! Tudo que a voz mansa dele dizia entrava por um canal desconhecido da cabeça da menina, que antes só queria ser uma boa esposa... saiu com a frase na cabeça: "o que me comove, não me move"... tentando absorver aquele homem, aquelas palavras, era um começo e um fim.
Mesma hora, mesmas carícias e... não! Não houveram carícias: o sonho mais belo estava murcho. Ela já não reconhecia aqueles gestos, a fala, o assunto, aquele meio nunca seria mais o dela, aliás, era um alienígena fora do seu planeta.
Fim de tudo! Lágrimas de crocodilo e promessas de campanha, mas nada! A dor que ela provocava era como uma piada simples, mas que sempre tem graça.
Onde estavam os outros momentos? Ela teve que refletir ao ser questionada. Pensou que estariam já mofos numa caixa de papelão de achados e perdidos da mente "roda viva".
Era vento, que levava folhas secas do chão e derrubava outras, para movimentar a esperança de esperar algo que sempre teria que ser melhor, muito melhor do que aquilo que já era passado, mas o que era mesmo? Já tinha esquecido para caso de comparação.
Ela acreditou que ele se julgava amado por ter dado tudo que podia: desempenho mecânico. Mas ele parecia só um estranho daqueles que cruzam o caminho na rua e não deixam nem levam nada.
O estranho continuava falando e por compaixão ela se questionava: "de onde conheço?" "Porque ele esbraveja e faz promessas, como se eu fosse responsável pela sua dor?" Ela só pensava que estava atrasada, ia perder a aula com O Cientista, e isso sim, seria um desastre.
Vem uma única frase na cabeça da moça, apenas a fim de apurar o encerramento do assunto: - "Tudo acabou!" Quis muito fazer cara de triste, mas achou engraçado o "tudo" da frase, já que ali estava só um punhado de carne ambulante, que queria sexo sem compromisso.
Ele ficou na porta, vendo o carro sair, chorando...  pensando qual outra mulher estaria disponível, como ela naquele dia, para ele não perder o seu dia de foda, ops! Quis dizer: folga.

Nenhum comentário:

Postar um comentário