Não adianta! Não compro mais os dramas da vida moderna, não aceito mais esse sofrimento banal do fim de romances por pessoas que idolatram umas as outras e depositam num único ser toda a responsabilidade de felicidade e amor eterno.
As pessoas mudam. Ponto final. Conseguimos compreender perfeitamente isso, aliás, quando nós é que decidimos mudar, mas quando alguém quer seguir por outro caminho, pronto! Começa o amor pelo avesso, as interrogações: onde foi que eu errei? O que poderia ter feito? O que ele quer que eu não tenho?
Aquele que muda, o corajoso, segue o seu caminho... já o rancoroso, aquele que acha que "perdeu" uma disputa: esperneia, se deprecia e quer contar a história triste para que todos tenham pena, o rancoroso é sempre uma vítima.
São as vítimas sentimentais, que levadas por puro egoísmo não distinguem pessoas de objetos: "-São meus: meus planos, meu futuro, meu, meu, meu....- " O pior é que viver assim é muito mais difícil, imaginar que podemos controlar é uma ilusão dolorosa que acaba.
Existem várias formas de se contar uma história, mas é só notar: a vítima sentimental vai encontrar um jeitinho de lembrar da sua através de relações que não deram certo, e sofre lembrando, e sofre esperando, vazia.
E não se contentam em ser assim sozinhas: vítimas solitárias, querem que todos a sua volta sofram também, e não pense que você ficará imune, pois entender o sofrimento é uma forma de sofrer também.
Também há muitas maneiras de ver a vida, a da vítima sentimental é aquela facilmente reconhecível: ou está lamentando a perda de um amor do passado ou imaginando uma relação ideal no futuro.
É o passageiro da lembrança e da esperança, que enquanto se preocupa tanto com suas distrações mesquinhas se perde no relógio implacável... inclusive reclamar sobre o tempo é uma das grandes distrações da vítima sentimental.
Não caia nesse jogo! Viver não consiste em perdas e ganhos... deixa que vá... e não pense que a vítima sentimental sabe alguma coisa porque alega que se entregou, esse tipo de entrega é desnecessária.
Vamos manter nossas almas além das chegadas e partidas! Quantas vezes não fomos nós mesmos que decidimos ir embora? E quando não, quantas vezes só nos faltou a tal coragem?

Nenhum comentário:
Postar um comentário