Ficamos os dois frente a frente,
e hoje, especialmente, nos abraçamos
como velhos conhecidos, ambos temos boas máscaras que nos protegem e cimentam o
amor lá embaixo, na calçada, sob os pés, ele já tentou romper o asfalto
diversas vezes, mas cada vez que isso acontece, aparece uma rachadura, que
começa a estremecer as estruturas, logo vem alguém, passa massa e remenda, pronto! Parece
novamente que não houve nada ali, sempre fica a gentileza plana e consertada.
Aquele perfume ficou,
testemunha de tantas idealizações, que agora na lembrança, parecem vivas, ainda
o vejo como o menino sem grana e idealista que encontrei na padaria há dez anos atrás, falando de
música e filosofia e ele ainda me vê como a menina que tentava disfarçar a
ingenuidade e insegurança com um discurso moderninho, com medo de falar alguma besteira imperdoável.
Nós sempre sacamos nossas
fraquezas, mas como natural do amor, fazíamos de conta que era só uma novela. Como natural dos nossos postos sérios de agora, cada um seguiu para sua casa, para pensar em como teria sido.

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