- Quando estava saindo de casa, assisti a uma cena indigesta: um carro
atropelou um pequeno cão que saboreava a liberdade de romper o portão e alçar
outros caminhos. Parei ao ouvir os gritos do bichinho. O dono do carro também
parou imediatamente. Saltou do carro com uma rapidez que me comoveu. Observei a
cena.
Como era de se esperar por quem ama “carros”, foi ao encontro... da parte frontal do veículo; e após verificar que não estava danificado, entrou na sua máquina e acelerou. Ora, quem se lembraria de um cão, não é mesmo? E o cão ainda agonizava e seus olhos pediam salvação.Nessa hora, pensei que, quem sabe um dia a (in)comunicação homem/bem de consumo supere todas as barreiras da comunicação do homem com a natureza e com outros homens. Outros talvez serão como aquele cão, passaremos a vê-los como o vê o dono do carro. Entraremos numa introspecção consumista ao ponto de acharmos que um arranhão no carro é mais importante que um ser vivo.Mais desesperador é saber que convivo com vários desses donos de carro e que as coisas tomaram lugar de animais. Só nos resta a comoção, que é a pior e mais contemporânea forma de alienação que o homem criou para enganar a si mesmo.
Por Janaina Lübke em Jornal Anotícia - 04/06/2010
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
O Atropelamento
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