sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Agora “Narciso acha feio o que não é espelho...”
De repente tudo amanheceu uniforme... Todos os homens são
morenos e tem a mesma estatura e eu sou invisível, tango sem bandoneon, Chico
Buarque de olho castanho, Tom que não toca piano, Van Gogh é só um chato (com
orelha) que fez desenho técnico e usa réguas ... as pessoas me falam de tinta
de cabelo, legislações e outras drogas e
estou surda, tento ler os lábios mas nada mais tem uma forma definida, vejo só
uma moldura embaralhada que me julga constantemente por tê-la ultrapassado... parece
que quando abri os olhos estava sonhando, na minha frente sorriam uns olhos de
jabuticaba que traziam a paz do avesso que nunca busquei na escuridão...
lembrei de Narciso... tanto deslumbramento seria por me ver enfim refletida num
par de olhos tão certos que deixariam a Capitu ofuscada? Longínquos me trazem a tão temida sensação
que os outros chamariam de esperança, prefiro dizer que é apenas vida e tudo
que está fora desse olhar é passar do tempo, tudo que eu passo tem um pouco
disso agora, um descompasso, como sentir calor e desejar o inverno e no frio
buscar um cobertor quente... estou pra dentro e já não me julgo como sempre me
obrigava, mas ainda estou num ensaio poético como um ator que espera um grande
papel, adormeci para a inconsciência de viver dentro de padrões e sei que meu
bilhete para uma grande viagem está no bolso, parte de tudo que vou usar para
me despir e que só poderei ir se estiver nua.... ah... e a música como uma bela
religião me lembra: “tanto mar...”
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário