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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Cartas não enviadas 6

Estes últimos dias tem sido como vagões fechados para mim, queria que soubesses de alguma maneira como podes me fazer tanta falta como agora. Tenho pensado muito em ti, sei que em vão, mas tu não vais embora, o te ver aos beijos com outra tive minhas aspirações arrasadas como uma pedra de gelo no deserto, não tenho ninguém que me ouça, o fio de Ariadne partiu-se, se é que ele existiu algum dia, e não posso te ligar e nem tentar te convencer. O vazio que esta falta me faz é muito maior do que todo meu ser,  queria Ter sonhado, ou muitas vezes tenho desejado jamais Ter te conhecido pois a minha vida seria mais amena sem lembrar das músicas que te ouvia cantando, como as sereias que seduziam todos com seu canto. Ao menos se eu soubesse que tu também pensas em mim, que tu te arrependestes, mas de ti não sinto nem coisa alguma, sem sinais, penso que te escrevo e que os anjos transportem naquela linha que ultrapassa a razão minhas angústias, queria tanto saber uma maneira de colocar de volta num coração tudo que um dia ele sentiu, apagar da memória aqueles erros que fizeram algo que poderia ser muito maior e mais forte se esvaírem como uma barca furada, se ao menos eu soubesse que assim como eu, tu sentes minha falta, que apesar das demonstrações de indiferenças que tens me dado, tu também sentiu em algum momento que tudo poderia Ter sido melhor, sublime, escrevo aqui e tudo que eu queria é que como num sonho estas letras chegassem até ti, no teu coração, já que teu lado racional é muito afetado pelas ilusões do poder. Pensei Ter sido mais para ti, mas nada, não fui nada, a crueldade que tomou conta de ti mostrou-me que nem tudo é como eu penso, que as pessoas não tem e nem são obrigadas a terem o mesmo tratamento, a mesma disposição para comigo. Acordei para uma realidade diversa da que eu vivia, e ver-te nela tem me angustiada, porque na minha imaginária realidade de antes ninguém era tão ruim e indiferente aos sentimentos, tu me ajudastes a ver que as pessoas não são boas como eu e que isso não é nem surpresa, não deixa ninguém pasmo. Como eu tenho saudade daquele amor doce de antes, sem aquele olhar de ditador insensível, não consigo esquecer o último olhar que me destes, a frieza, a indiferença, um escárnio difícil de entender....

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