As doces e amargas lembranças da infância vieram à tona com toda força, tomaram conta de mim hoje, meus olhos cheios de lágrimas e lábios secos produzem um sensação de mofo, sabe que hoje novamente tua lembrança ficou bem mais forte, lembrei daquele sentimento que tinha por um primo próximo e consegui ver claramente que era amor, amizade, brincadeira inocente de criança, uma ligação mental muito forte e como num paralelo cheguei a tua imagem, achava besteira quando ouvia dizer que coração doía, pensei sempre ser um artifício dos ultra-românticos, ou sou besta também ou estava enganada, meu coração tem doído realmente, e dói sempre quando penso em ti e não é exagero.
Acho que sonhei, pude então lembrei da minha infância, quando criança queria mudar o mundo, me sentia forte – e era- para enfrentar tudo e imaginava que seria um dia uma rainha, não era fantasia, era algo concreto, acreditava que podia, mas cresci com tudo e todos tentando me provar o contrário, que eu era comum e que jamais iria longe, convivi com a mediocridade de perto e acabei por achar que a única medíocre era eu, sufoquei praticamente toda sensatez que tinha e continuei convivendo com a mediocridade, acabei parte por incorporá-la e até aceitá-la como normal no meu próprio cotidiano, mas nunca deixei de ler, de ouvir músicas as quais só eu sentia, a pintar quadros que ninguém entedia e a ter idéias que nasciam e morriam dentro de mim, e eu pensava que estava errada, lembrava da minha infância e da grande pessoa que tinha sumido de mim.
Te conheci, e algo em mim mudou para sempre, “te celebro mas não me escutas”, pois eu te escutei, tu me fez acordar para uma realidade que já estava em mim sufocada pela mediocridade que me rodeava, a mesma sensibilidade que agonizava em mim era tão visível em ti que tive medo, era uma dimensão muito maior que me esperava, não soube lidar com o que a tua presença causava em mim, parte de mim lutou muito para continuar medíocre, não identifiquei que a tua presença era providencial, não soube retribuir, e ao me dar conta não consegui expressar que tu tinhas sido tão importante assim
me senti tão mais forte e capaz, aquela criança que estava novamente acordou e nunca mais vou deixá-la adormecer, graças a ti. (Julho/2005)

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