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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Cartas não enviadas 5


Adorado meu, sei que leste a última carta, outrora contentaria-me em apenas saber-te alguns segundos com o pensamento voltado a mim, mas encarecidamente peço-te agora mesma leitura e mais reflexão ao que venho neste papel – que se observares bem traz consigo reflexo de minhas duras penas- relatar-te:
....ele despertou hoje pior e em protesto a ti tentou despedaçar-se e não conseguiu, usou vários meios até perder a persistência, ficou muito decepcionado com os poetas que já falaram sobre coração partido, sentiu-se iludido ao constatar que ele na condição de coração tentou partir-se e não obteve êxito, quis com conhecimento de causa alertar os todos os românticos que como ele também acreditaram nessa máxima do romantismo, mas foi uma centelha que logo passou, o louco e faiscante amor que ele cultiva por ti ainda é o motivo mor de sua angústia e a tua alienação ao sentimento dele o seu maior penar.
De raiva, virou-se de costas, deixando-me por morrer, entupiu várias veias do meu debilitado corpo e o que me mantém viva é a esperança- companheira e amiga ilusória do amor-perfeito-  que todo coração apaixonado guarda consigo apesar dos pesares.
Quando tudo está entupido e eu começo a passar mal, como mágica ele percebe algo de teu e vira-se para seguir teus sinais, então me dá uma trégua descongestionando as minhas veias, é assim que vivo, a rogar por tudo que faça o meu coração buscar-te.
Escrevo-te depois de acalmá-lo com Mozart, Bach e Bethoven e uma leitura de Shakespeare, mas ele está cada vez mais faminto e eu fraca, já que ele ainda passa o maior tempo virado de costas para a sua melancólica realidade.
Ajude-me, penso que um beijo teu transformaria a minha já tão ressequida existência, tenho sensação de que um beijo aquietaria meu coração,  um beijo apenas...“vês que nem te peço amor”.

Jamais menos tua que agora,  

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